Um projeto europeu irá trabalhar com moléculas de RNA para criar uma vacina contra a aids

Cientistas do Hospital Clínic de Barcelona apresentaram o projeto europeu iHivarna, que será utilizada pela primeira vez, moléculas de RNA para criar uma vacina terapêutica que conseguir imunizar os pacientes infectados pelo HIV e que, segundo crêem, pode estar pronta daqui a quatro anos

O professor Gatell, no centro da cidade, junto ao pesquisador Felipe Garcia e drª Teresa Gallart, em janeiro passado, quando apresentaram os primeiros avanços da vacina terapêutica contra o vih/EFE/Alejandro García

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Segundo explicou o chefe da equipe de pesquisa ‘Aids e doenças infecciosas’ do Instituto de Pesquisas Biomédicas August Pi i Sunyer (Idibaps), o doutor Josep Maria Gatell, esta vacina terapêutica “evitaria o crescimento que sofrem as pessoas infectadas pelo HIV ao retirar a medicação anti-retroviral”, atualmente, o único tratamento disponível.

iHivarna baseia-se nos resultados obtidos em janeiro deste ano, durante o ensaio clínico de uma vacina terapêutica, que conseguiu reduzir em 90 % a carga do vírus em pacientes infectados, embora de maneira temporária.

Ressaltou, no entanto, que estas estatísticas “não são suficientes” e que o objetivo do novo projeto é chegar a reduzir a quantidade de VIH no sangue “, pelo menos até 99 %”.

Moléculas de RNA

O coordenador do projecto em Portugal e também membro do Idibaps, o doutor Felipe Garcia, explicou que, para criar esta nova vacina o computador trabalhará pela primeira vez, moléculas de RNA, encarregadas de levar a informação de que os genes para a síntese de proteínas.

A futura vacina usaria esse tipo de moléculas para activar directamente as células dendríticas, que são aquelas que, em um organismo saudável, se encarregam de alertar a todo o corpo de uma determinada doença.

“O organismo de uma pessoa infectada pelo HIV nunca recebe ordens corretas ou completas, que é o que tem de fazer quando está infectado e, em muitos casos, o organismo de pacientes com sida não sabe nem o que está infectado”, explicou o doutor Garcia.

A esta idéia de como funcionará a futura vacina, o doutor Gatell acrescentou que “se trata de uma forma lógica de avançar, tendo em conta os resultados positivos e encorajadores registrados em janeiro”.

No caso de que a vacina finalmente apresentasse resultados satisfatórios, a sua produção e comercialização em grande escala seria “mais acessível”, já que se trata de “uma vacina barata e fácil de produzir”, disse o doutor Gatell.

O projecto europeu iHivarna se enquadra no tema ‘Segurança e eficácia das vacinas terapêuticas” do sétimo Programa-Quadro da Saúde 2013 e é financiado com seis milhões de euros da Comissão Europeia, de acordo com o doutor Gatell, “o orçamento mínimo imprescindível para jogar para a frente”.

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