Um professor de cirurgia pede incluir os homens nos ensaios de câncer de mama

O professor emérito de cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de Cardiff (Reino Unido) e presidente do XI Congresso Europeu de Câncer de Mama (EBCC11), Robert Mansel, pediu que se incluam os homens nos ensaios para melhorar os tratamentos de câncer de mama.

O homem também é vítima do câncer de mama, 1 por cada 100 mulheres. EFE/LUIS TECIDO

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A copresidenta do EBCC11, ex-chefe da Unidade de Oncologia Cirúrgica da Mama do Hospital Vall d’Hebron, e atual diretora da Unidade de Cirurgia de Mama na Clínica Universidade de Navarra, Isabel Louro, apresentou no congresso sobre câncer de mama, que termina hoje em Barcelona, um trabalho que mostra que, se as mulheres recebem previamente à cirurgia, um tratamento para reduzir os tumores pode evitar a cirurgia radical.

Em função destes resultados, o professor Mansel afirmou que “estas descobertas podem ser aplicadas também para os homens, mas não sabemos porque os que têm câncer de mama quase nunca são considerados em ensaios clínicos”.

“Precisamos de ensaios que começam a incluir homens, para que possamos descobrir se respondem da mesma forma aos tratamentos direcionados que as mulheres ou não. Pode ser que não, porque as hormonas relacionadas com o câncer são diferentes, mas até que isso não se investigue bem por meio de ensaios, não sabemos qual é o melhor tratamento para eles”, disse Mansel.

Segundo o professor, “o resultado estético após a cirurgia é algo importante para os homens também”.

“Hoje, os homens com câncer de mama, às vezes, se submetem à cirurgia para remover todo o câncer, mas por que eliminam os cirurgiões o mamilo e a aréola, se não é necessário? Os homens sentem-se desconfortáveis sobre isso, porque se querem ir para nadar ou para a praia pode ser que levem o peito a descoberto. Poderiam aproveitar-se de uma cirurgia mais conservadora para preservar o mamilo e a aréola”, detalhou.

De acordo com os dados fornecidos no Congresso, que se realiza em Barcelona a partir de quarta-feira, o câncer de mama é 100 vezes menos frequente em homens do que em mulheres.

Estudar o câncer de mama masculino

A Organização Europeia para a Investigação e o Tratamento do Câncer (TRAUMÁTICO), o Grupo Internacional da Mama (BIG) e os Grupos de Câncer de Mama da América do norte estão coordenando esforços para analisar dados clínicos obtidos a partir de um registo internacional prospectivo de pacientes do sexo masculino, o câncer de mama.

Este estudo avalia o número de pacientes que é possível recrutar para um ensaio clínico futuro, descrever os esquemas do cuidado, e avaliar a taxa de recolha de amostras.

“Fará falta esta abordagem colaborativa para realizar ensaios clínicos confiáveis com homens”, especificou Mansel.

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