Um pouco de “jet lag”

Na madrugada do sábado para o domingo, às três da manhã serão as duas. Vencemos uma hora ao fim-de-semana, mas nem tudo são boas notícias. De agora em diante a luz se irá por nós antes. As mudanças anímicos que sofremos por isso são maiores do que os biológicos

EFE/EPA/Barbara Walton

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Aproveitamos mais a luz e gastamos menos energia, até aí tudo perfeito. Mas o corpo, que é um animal de hábitos, sofre as alterações. David Perez, chefe de Neurologia do Hospital Infanta Cristina de Parla (Madrid) e diretor da Fundação do Cérebro, que nos dá as chaves.

A mudança para o horário de inverno é menos rígido que o de verão. Acontece como quando viajamos. O “jet lag” é muito mais intenso se você viajar de oeste para leste. Se fazemos o contrário, nós ganhamos tempo ao tempo e as consequências para o organismo são menores. É o caso em que estaremos na madrugada do sábado para o domingo.

Não sabemos o porquê, mas o nosso corpo está mais habituado a ter jornadas mais prolongadas de vinte e quatro horas do que o contrário.

Crianças e idosos, os mais sensíveis ao câmbio

Não existe diferença de adaptação entre homens e mulheres. Todos, no domingo, teremos uma jornada de vinte e cinco horas. Estaremos mais felizes, graças à hora a mais de sono e nos adaptaremos muito melhor ao novo horário.

Sim influi mais idosos e os mais pequenos. As crianças têm um horário de sono maior. Os afetam mais estas mudanças, o sono e a alimentação, mas que possuem grande facilidade de adaptação. Em idosos, a consequência é o mais importante.

“Seus horários de sono são mais curtos e, portanto, o câmbio, no percentual de sono total, é maior”, aponta o especialista. “No caso de sofrer de doenças neurodegenerativas, como o mal de alzheimer ou o parkison, sofrem muito mais. Esses pacientes têm um caos no ritmo biológico, sonolência durante o dia, insônia à noite. Se adicionarmos mudanças de horários produzidos pelo ser humano, as consequências podem ser piores”.

Repercussão no espírito, não no corpo

Não cabem desculpas “físicas” para o próximo sábado, após a mudança de tempo, mas pode ser que nosso humor é afetado. O dia diminui e a luminosidade está associada a uma sensação de bem-estar. Nos países nórdicos, as taxas de transtornos mentais, especialmente os depressivos, são muito mais elevados do que no sul da Europa, onde há mais horas de luz.

“Podemos ser influenciados, não tanto pela mudança de horário de sono, o que influencia de forma indireta, mas para as horas de escuridão. Mantendo os horários, a atividade que fazíamos antes, conseguiremos manter o ritmo anterior à mudança de horário sem aviso especialmente”, aconselha o médico.

Apesar de nos sentirmos estranhos, ou um pouco mais baixos de humor, não devemos automedicarnos.

“A mudança de horário e a luminosidade do verão para o inverno é uma circunstância normal da vida que não há que medicalizar. Pode Nos custar um pouco, mas não se deve recomendar nenhuma medicação”, afirma.

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